Mídia

26.03.2020
Covid-19

Novo Corona Vírus: Covid-19

Em meio ao clima de pânico e a essa enxurrada de informações sobre a pandemia do Corona Vírus (Covid-19), devemos manter a calma e a tranquilidade.

O covid-19 é considerado um vírus de baixa letalidade, porém de alta transmissibilidade. Essa sutileza é um fator importante para sua ampla e rápida disseminação no mundo todo.

Em jovens e crianças a taxa de letalidade é menor que 1%, enquanto que no outro extremo de idade, ou seja nos idosos e maiores que 60 anos, a taxa pode chegar a 15-20%. A baixa incidência de quadros mais graves e óbitos em crianças é uma boa notícia e também motivo de investigação entre os pesquisadores. Qual poderia ser o “fator protetor” presente nas crianças?

É plenamente noticiado e observado que 80% dos infectados apresentam sintomas gripais leves, dentre eles os mais comuns: febre, tosse seca, mal-estar e dor no corpo, dor na garganta, coriza, diarréia, entre outros. Uma curiosidade relatada em alguns casos, é a perda do olfato e paladar, que apesar de incomuns, quando ocorrem, são muito sugestivos de infecção pelo covid-19.

Ao contrário do que se pensa, apesar da maioria (80%) dos infectados exibirem apenas sintomas gripais leves, apenas uma minoria (25%) é completamente assintomática. Portanto, apesar de uma pessoa totalmente sem sintomas poder estar infectada e transmitir o vírus, isso ocorrerá com uma freqüência menor em relação aos indivíduos com sintomas, mesmo que leves. No entanto, é importante ressaltar que um indivíduo infectado pode levar até 2-3 semanas para exibir os sintomas. Este período entre a infecção e a manifestação dos primeiros sintomas é o que chamamos de período de incubação da doença. No corona vírus ele é de 3 a 14 dias, com a maioria dos pacientes exibindo sintomas até 5-7 dias. No entanto, foram observados alguns casos com períodos de incubação mais longos de até 3-4 semanas, apesar  deles serem a exceção e não a regra.

Atitudes óbvias:
· Lavar as mãos com freqüência com água e sabão.
· Andar com álcool gel 70% e higienizar as mãos ao tocar em superfícies de uso comum (botões de elevadores, maçanetas, teclados, etc).
· Minimizar o toque ao rosto, olhos e bocas.
· Evitar aglomerações, principalmente em lugares fechados. Se for inevitável, como em ônibus ou metro, não tocar no rosto antes de higienizar as mãos. Nessas situações, também é altamente recomendável o uso de máscaras. Na verdade, o uso de máscaras é um hábito a ser adquirido por todos durante os próximos meses, pois ela reduz as chances de transmissão e contaminação pelo vírus. Idealmente, deveria ser utilizada continuamente fora do ambiente domiciliar.
· Não sair de casa ou contatar outras pessoas caso esteja com sintomas gripais, mesmo que leves. Não ir ao trabalho com sintomas.
· Tomar a vacina contra gripe (Influenza) assim que possível.

Atitudes nem tão óbvias:
· Limpar os registros das torneiras com frequência.
· Trocar de roupa e tomar banho assim que chegar em casa, principalmente após estar em grande aglomerações (transporte público).
· Higienizar com freqüência, chaves, teclados e telefones de uso comum.
· Não procurar pronto-socorros caso esteja apenas com sintomas gripais, mesmo que mais fortes, sem evidência de comprometimento respiratório (frequência respiratória > 30 respirações por minuto, saturação de oxigênio < 94% em repouso, ou excesso de fadiga e falta de ar). Excessão a essa regra se aplica a pacientes idosos (>60 anos) ou com doenças de base descompensadas (diabetes, obesidade, hipertensão e outras doenças cardiorrespiratórias). Nesses casos, o acesso a oxigênio suplementar  é vital e urgente.

Em caso de quadros gripais leves a moderados, em pacientes jovens e fora do grupo de risco, recomenda-se isolamento por 14 dias e medidas de suporte, tais como hidratação e sono adequados, alimentação balanceada e medicação analgésica (tylenol, dipirona).

Se precisar procurar um médico por qualquer motivo, dar preferência para consulta a distância ou Teleconsulta (telemedicina), principalmente se estiver com sintomas gripais.

 

Como fica a prática da Ortopedia e Cirurgia da Mão em Tempos de Corona Vírus?

  • se o seu problema atual causa pouca ou nenhuma dor ou desconforto e não o atrapalha nas atividades da vida diária, considerar adiar a consulta presencial ao seu ortopedista.
  • se há dor ou desconforto, além de comprometimento funcional, a teleconsulta ou consulta online pode ser a solução ideal. Ela permite uma orientação inicial para prescrição de medicamento analgésico ou anti-inflamatório, além de exames complementares.
  • sessões de fisioterapia ou terapia ocupacional que não sejam indispensáveis ou urgentes, devem ser preferencialmente adiadas, principalmente em idosos
  • nos casos de dor aguda intensa ou traumas, a consulta presencial ainda é a mais indicada. No entanto, a teleconsulta pode ser útil para antecipar o pedido para realização de exames, tais como radiografias, ressonância ou tomografia.

 

É seguro operar agora? Como ficam as cirurgias eletivas (não urgentes)?

  • no caso em que uma cirugia se faça necessária, é recomendável que o paciente realize o teste de PCR de 24-48 hs antes da cirurgia, pois existem estudos onde pacientes inicialmente assintomáticos desenvolveram quadros extremamente graves de infecção no pós-operatório. Portanto, se o teste de PCR para covid-19 for negativo, o paciente e a equipe médica poderão realizar a cirurgia com mais segurança e tranquilidade. Caso o teste seja positivo, é altamente recomendável que a cirurgia seja adiada por, pelo menos 2-4 semanas, se ela não for extremamente urgente.
  • Atualmente, a maioria dos hospitais de ponta já estão estruturados para uma retomada segura das cirurgias eletivas (não urgentes), com protocolos bem definidos para receber com segurança os pacientes não-covid. Pergunte ao seu médico de confiança sobre os riscos x benefícios de se realizar uma cirurgia que você necessita, mas não é urgente, nesse período.
01.03.2018
Corte no dedo: O que fazer?

Matéria publicada por Portal Estadão SP . 19/07/2017

Os ferimentos corto-contusos (FCC) nos dedos são um dos principais acidentes domésticos do dia-a-dia. Os cortes ocorrem nas mais variadas situações envolvendo facas, copos e louças quebradas.

Essas feridas costumam sangrar muito no momento do acidente, pois as mãos e os dedos são regiões muito vascularizadas. O recomendável, logo após o acidente, é lavar a ferida com água corrente e estancar o sangramento com um pano limpo pressionando a ferida. Deve-se evitar compressão circular excessiva devido ao risco de comprometer a circulação do dedo. Após essas medidas iniciais, o ideal é que o paciente procure um pronto-socorro de ortopedia para uma avaliação mais detalhada.

 

TODO CORTE É IGUAL? É GRAVE?

Nem todos os cortes são iguais. Depende muito da profundidade do corte e da localização.

O FCC ou corte pode comprometer somente a pele e o subcutâneo e nesta situação de menor gravidade, a limpeza cirúrgica sob anestesia local e a sutura de pele resolvem o problema.

Quando há perda de movimento do dedo após o corte, deve-se suspeitar de uma lesão tendínea. Se houver perda da capacidade de flexionar ou “dobrar”o dedo, o tendão flexor foi comprometido e o corte se localiza na face palmar do dedo.

Se houver perda da capacidade de extender ou “esticar”o dedo, o tendão extensor foi comprometido e o corte se localiza na face dorsal do dedo.

Um outro aspecto de fundamental importância é a avaliação da sensibilidade do dedo. Os nervos digitais dos dedos são frequentemente acometidos nos cortes de dedos e o sintoma típico é dormência numa das bordas dos dedos, associado a sensação de choques na região do corte. Cada dedo é suprido por 2 nervos digitais que são responsáveis pela sensibilidade das bordas radial e ulnar do dedo. Se o nervo digital radial for lesado, a borda radial do dedo ficará dormente. Se o nervo digital ulnar for lesado, a borda ulnar do dedo ficará dormente. Em cortes mais extensos, os 2 nervos podem ser lesados em conjunto com os tendões flexores.

Em suma, a gravidade do corte depende mais da profundidade e da localização do que o tamanho do corte em si. Cortes extensos de 2 a 3 cm podem ser superficiais e não comprometer nenhuma estrutura considerada mais nobre, enquanto que cortes puntiformes e profundos podem comprometer tendões e nervos importantes.

 

O QUE FAZER EM CASOS DE LESÃO DE TENDÃO OU NERVO? É URGENTE?

Na vigência de uma lesão de tendão ou nervo, o paciente deve ser encaminhado com urgência a um cirurgião de mão para avaliação e tratamento adequado das lesões. Se houver uma boa infra-estrutura hospitalar no pronto-socorro e equipe de retaguarda disponível de cirurgia da mão, o paciente pode ser operado na urgência. Caso contrário, o melhor é lavar, suturar a ferida e imobilizar. O paciente deverá ser encaminhado dentro de 1 semana para agendamento da cirurgia definitiva: tenorrafia e microneurorrafia.

Um atraso demasiadamente prolongado (maior que 3 a 4 semanas) na avaliação e na cirurgia, pode comprometer o resultado final da movimentação e sensibilidade do dedo.

Um tendão flexor lesado tende a encurtar e entrar em contratura miostática. Além disso, o sistema de túneis ou polias pode estreitar e impedir a passagem do coto de tendão inchado.

Um nervo digital lesado também retraí e as bordas dos cotos lesados degeneram, criando um defeito de nervo muito grande para ser reparado de maneira direta. Nessa situação, a neurorrafia direta fica inviabilizada e um enxerto de nervo deve ser interposto para possibilitar a reparação do nervo. A utilização de um enxerto de nervo de interposição significa uma incisão cirúrgica a mais no paciente, além de provocar uma área de dormência numa outra parte do corpo onde a sensibilidade é menos importante que a sensibilidade do dedo lesado. Funcionaria como uma troca vantajosa para o paciente. Por esta razão, é preferível o reparo direto do nervo lesado sempre que possível.

 

COMO É O PÓS-OPERATÓRIO? PRECISA FICAR IMOBILIZADO?

No período pós-operatório, o paciente permanece com a mão e os dedos imobilizados por uma tala ou órtese, por um período que varia de 2 a 6 semanas de acordo com a gravidade da lesão e as estruturas acometidas. Também é fundamental o início precoce da terapia ocupacional para reabilitação adequada do dedo comprometido.

#MinutodaSaúdeHC – Corte nos dedos

Acidentes domésticos envolvendo cortes nos dedos são muito comuns. Neste #MinutodaSaúdeHC, o Dr. Alvaro Cho, especialista em cirurgia da mão do Instituto de Ortopedia e Traumatologia, explica as características do corte que indicam uma lesão mais grave.

Jovem atropelado por motorista alcoolizado na Rua Augusta deve ficar com sequelas, diz médico

Matéria publicada por Portal G1 SP, São Paulo . 31/07/2017

Gabriel Souza, de 25 anos, e outros quatro colegas foram atingidos por um carro na região central de SP. Ele passou por cirurgia para reconstruir um dos braços.

Jovem Gabriel Leite Souza, de 25 anos, deve ficar com sequelas depois de ter sido atropelado junto com outros quatro amigos por um motorista embriagado na Rua Augusta, região central de São Paulo, no último sábado (29). Ele corre risco de perder um dos braços e passou por uma cirurgia de emergência no Hospital das Clínicas para reconstruir o membro.

De acordo com médico Álvaro Baik Cho, a operação realizada foi um sucesso. “Eu diria que as chances são boas de preservar o antebraço, o punho e a mão dele”, disse. Segundo o especialista, no entanto, a movimentação do braço atingido deve ficar limitada. “É muito pouco provável que ele tenha função plenamente normal”, ressaltou.

Gabriel passou pela cirurgia de reimplante no próprio sábado, pouco depois do atropelamento. A operação durou cerca de 10 horas e não será a única. Ele passará por uma nova intervenção nesta segunda-feira (31). Conforme contou a mãe, Vitalina de Souza, o jovem está consciente, mas introvertido, evitando conversar até mesmo com familiares.

Além de Gabriel, Aline Santos Ferro, de 24 anos, outra vítima do acidente, segue internada no Hospital das Clínicas. Ela também teve de passar por uma cirurgia, na cabeça, por conta de um traumatismo craniano. O estado de saúde da jovem é considerável estável, mas ainda não há informações sobre data para alta médica.


Carro atropeloau 5 pessoas na Augusta (Foto: Reprodução/TV Globo)

O motorista Paulo Cesar Negri, de 23 anos, que atropelou Gabriel, Aline e outros três amigos depois de ingerir bebida alcoólica, foi liberado após pagar uma fiança de R$ 5 mil. Ele estava detido no 78º DP, nos Jardins, e deixou a delegacia no mesmo dia. Paulo Cesar foi indiciado por lesão corporal culposa (sem intenção) e por dirigir embriagado.

Uma câmera de segurança gravou o momento do atropelamento. O vídeo mostra um Peugeot preto subindo a Rua Augusta em alta velocidade, derrapando e subindo sobre a calçada. O acidente aconteceu na altura da Rua Matias Aires, em frente a uma concessionária. O carro atropelou as vítimas e derrubou um poste de sinalização. É possível ver um clarão após a batida.

Segundo Noel Darves, advogado do motorista, seu cliente voltava de uma balada com amigos e o bafômetro constatou embriaguez. O defensor disse que o rapaz dirigia dentro do limite de velocidade da via e que acabou atropelando as pessoas depois de ter sido fechado por outro veículo. “Ele perdeu o controle do carro e está em estado de choque”. Paulo Cesar não fugiu do local do acidente.

Cientistas criam prótese de mão que confere sensação de tato a amputado

Matéria publicada por Ciência e Saúde – Portal GI (Mariana Lenharo) . 06/02/2014

Sensibilidade é importante para regular a força exercida pela prótese. Voluntário diz que ‘sentiu a mão’ pela primeira vez depois da amputação.


Voluntário Dennis Aabo Sørensen identifica as características do objeto que segura por meio de uma sensibilidade artificial (Foto: LifeHand 2/Patrizia Tocci)

Uma nova prótese de mão desenvolvida por um grupo de pesquisadores europeus foi capaz de conferir ao amputado uma sensação semelhante ao tato, permitindo que ele identificasse a forma e a consistência de objetos. A novidade foi considerada de grande importância, pois a sensibilidade ao toque é essencial para o controle dos movimentos e da força.

Podemos não perceber, mas a modulação da força que exercemos ao segurar um objeto depende das informações que inúmeros sensores presentes em nossas mãos enviam para o cérebro, informando se o objeto é macio, rígido, áspero ou pontudo. Sem ter essa sensibilidade, arriscaríamos empregar força demais, e amassar um copo de plástico, por exemplo, ou força de menos, e deixar um copo de vidro se espatifar no chão.

O equipamento, criado a partir de uma colaboração entre cientistas de instituições da Itália, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca, envia informações captadas por sensores instalados nas pontas dos dedos da prótese diretamente para os nervos periféricos do paciente.

“Pela primeira vez, conseguimos restabelecer a capacidade sensorial em tempo real em um amputado, enquanto ele controlava essa mão ‘sensorizada’”, diz o pesquisador Silvestro Micera, um dos líderes da pesquisa. O estudo foi publicado na revista “Science Translational Medicine”.

 

EXPERIMENTO
Os cientistas partiram de um modelo de prótese já existente no mercado, em que o paciente é capaz de controlar os movimentos da mão artificial por meio de estímulos elétricos emitidos a partir do esforço exercido pelos músculos remanescentes. Captados pela prótese, esses estímulos controlam os movimentos de abrir e fechar os dedos ou girar o punho.

Foram implantados eletrodos diretamente em dois nervos do paciente. Sensores instalados na mão artificial detectam o nível de força que ele exerce enquanto segura um objeto. Essa informação é decodificada por um software e enviada aos eletrodos em forma de sinais elétricos passíveis de serem interpretados pelos nervos. Dessa forma, o paciente é capaz de controlar sua força em tempo real para se adequar às características do objeto.

Para o médico Álvaro Baik Cho, do Grupo de Mão e Cirurgia Reconstrutiva do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o grande avanço dessa técnica é conseguir fazer uma interface direta da prótese com os nervos do paciente. “Dessa forma, cria-se uma sensibilidade artificial. É o que eu já vi de mais próximo a uma sensibilidade normal para o amputado, é realmente uma coisa muito inovadora”, diz.

O método foi testado em um único paciente: o dinamarquês Dennis Aabo Sørensen, que perdeu a mão esquerda há 9 anos em um acidente envolvendo fogos de artifício. Durante a realização de mais de 700 testes, ele mostrou-se capaz de sentir o formato dos objetos e sua consistência. “O feedback era totalmente novo para mim e, de repente, enquanto estava fazendo os movimentos, eu podia sentir o que eu estava fazendo, em vez de simplesmente olhar o que estava fazendo”, diz o paciente.

Para Cho, ainda deve demorar alguns anos até que essa nova ferramenta esteja disponível no mercado. Primeiro, o experimento deve ser repetido em um grupo maior de pacientes. Depois, deve haver um avanço tecnológico que permita que a ferramenta se torne portátil. O aparelho que decodifica os sinais captados pelos sensores ainda é grande e pesado.

 

TOQUE RUDIMENTAR
Uma tecnologia desenvolvida anteriormente já é capaz de fornecer ao amputado alguns sinais semelhantes ao tato, mas de maneira mais rudimentar. Trata-se da reinervação muscular orientada (TMR, na sigla em inglês). Cho explica que, por meio do reimplante dos nervos do membro amputado sobre os músculos do peito, é possível sentir uma resposta da pressão exercida pela prótese no peito. Porém, essa técnica não permite que o paciente tenha uma resposta de modulação da força em tempo real ao estímulo.


Sørensen é observado por equipe durante os testes da nova prótese (Foto: LifeHand 2/Patrizia Tocci)