Problemas mais frequentes: Dedo-em-Gatilho

O dedo-em-gatilho é uma patologia muito comum e pode comprometer qualquer um dos dedos das mãos. Os dedos longo e anelar são os mais frequentemente acometidos em adultos, enquanto o polegar é o mais acometido em crianças.

O principal sintoma é o travamento em flexão do dedo envolvido, durante atividades da vida diária. Durante o episódio de travamento o paciente sente um estalo no dedo e tem dificuldade para desdobrar o dedo. A dor também é um sintoma freqüente, podendo até mesmo preceder o quadro de travamento (gatilho pré-clínico).

Os sintomas são de início insidioso e costumam ser piores pela manhã ao acordar. De início, os travamentos são leves e pouco dolorosos. Não é raro o paciente se queixar de dor na região da polia A1 (prega palmar) sem episódios de travamento, bem no início da doença (fase pré-gatilho). Progressivamente os travamentos se tornam mais frequentes, intensos e dolorosos. A dor pode irradiar para todo o dedo e até para o punho e antebraço, indicando uma tenossinovite secundária do tendão acometido. Nas fases mais avançadas, o travamento pode cessar às custas de uma limitação da mobilidade do dedo, pois o paciente aprende insconsciente o quanto ele pode flexionar o dedo sem provocar o travamento. Menos freqüentemente,  o paciente pode apresentar um travamento fixo e “irredutível”, isto é, o dedo fica permanentemente dobrado sendo muito difícil sua extensão.

O dedo-em-gatilho é causado por uma desproporção entre o tendão flexor e o sistema de polias que o envolve na região dos dedos. Isto provoca um atrito anormal entre o tendão e a polia A1, gerando inflamação e espessamento da polia que tende a agravar ainda mais o quadro, gerando um círculo vicioso.

O tratamento depende da gravidade e duração dos sintomas:

-leve: dor na base do dedo com travamento ocasional de fácil redução

-moderado: travamento doloroso frequente de fácil redução

-grave: travamento doloroso frequente de difícil redução. A longo prazo o dedo vai inchando e ocorre dificuldade progressiva para flexão do dedo.

Nos casos leves, a imobilização provisória do dedo com tala metálica seguido de reabilitação costuma ser eficaz.

Nos casos moderados, a abordagem anterior pode falhar em alguns casos e a infiltração local de corticóide e anestésico tem eficácia em torno de 70%.

Nos casos graves, a eficácia da infiltração é menor e as recidivas são frequentes. O tratamento cirúrgico passa a ser a melhor opção de tratamento.

A cirurgia é relativamente simples e altamente eficaz. Ela é realizada através de um corte pequeno (1 cm) na região palmar do dedo comprometido. A polia A1 é seccionada, descomprimindo o tendão flexor e resolvendo o travamento. A cirurgia pode ser realizada com anestesia local + sedação leve ou com anestesia geral. A alta hospitalar é dada no mesmo dia, como via-de-regra. No pós-operatório, o paciente é orientado a não realizar grandes esforços por 2 semanas, mas nenhum tipo de imobilização rígida do dedo operado é necessário.

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